quarta-feira, 2 de maio de 2012
Bipolar com medo de abandono
Leia mais e na fonte: http://www.bipolarbrasil.net/2012/04/bipolar-com-medo-de-abandono.html#ixzz1tkydFVoS
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Meu nome é Mili, tenho 24 anos. Minha doença explodiu quando eu tinha 20 anos. Eu tratava depressão e transtorno do pânico desde os 16 anos e não suportava mais a ausência do meu marido por conta de suas viagens a trabalho. Mas só fui diagnosticada com transtorno bipolar aos 21 anos, após passar por quatro especialistas e duas tentativas de suicídio (a primeira por conseqüência do desespero de ter que ficar sozinha).
Após ser diagnosticada tentei suicídio mais uma vez e desconhecendo a gravidade da doença conquistei meu maior desejo: ter um filho. Meu filho nasceu quando eu tinha 22 anos. Fiquei sem medicação durante a gestação e por incentivo de algumas pessoas consegui amamentá-lo até que ele completar um ano e quatro meses, quando não suportei mais minha falta de controle e por medo de machucá-lo.
Com a chegada do meu filho eu passei a acordar sem esforços todas as manhãs. Ele me dá forças, é por ele que eu vivo.
Mas hoje após tomar conhecimento da gravidade da doença, me questiono se não teria sido melhor ter evitado a gravidez, já que tenho certeza que em algum momento vou feri-lo física ou psicologicamente.
Atualmente minhas constantes crises depressivas são por me sentir culpada.
Meu filho é a melhor coisa que já me aconteceu. Tê-lo conhecido e acompanhar as suas descobertas a cada dia é maravilhoso. Tenho certeza de que sou uma ótima mãe. Meu filho é saudável e não gosta de ficar longe de mim. O que eu mais amo na minha vida é ser mãe. É ótimo poder cuidar do meu filho todos os dias e noites.
Mas é difícil não ter controle porque em alguns momentos perco a paciência e grito com ele. Gostaria de ser mãe novamente, mas estou pensando seriamente se eu tenho capacidade para isso.
Com relação ao meu marido, a convivência é um pouco complicada, ainda estamos juntos porque nos amamos.
Meu marido se queixa por eu nem sempre conseguir demonstrar carinho por ele. Ele é um marido maravilhoso, sempre me acompanha em minhas consultas e é bastante compreensivo, embora julgue que sou preguiçosa por não conseguir cuidar sempre da minha casa.
Eu sei que não é agradável viver em uma casa suja e eu não gosto disso, mas há dias em que não consigo sequer comer ou tomar banho. Nestes dias eu apenas concentro minhas forças para alimentar e tentar cuidar do meu filho.
Algumas pessoas da família se afastaram de mim por eu ser desagradável às vezes. Também já percebi que elas têm medo de mim, como se eu fosse louca. Isso me faz sofrer muito.
Meu maior medo é perder meu marido e meu filho. Eu os amo e não suportaria vê-los partir. Meu filho tem dois anos e sempre pergunta se estou bem. Ele não entende o que eu tenho, porém, já percebeu que sou diferente. Isso dói muito!
Por diversas vezes penso se não seria melhor desistir da minha vida pelo bem estar da minha família.
*Mantido o anonimato.
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Nossa lendo essa historia me veio a minha na minha memoria .... sofremos muito ... eu tenho fé de viver cada dia melhor!!!
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